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Demissexualidade: quando a conexão emocional é o ponto de partida

Nos últimos anos, novos termos e categorias ligadas à sexualidade têm ganhado espaço nas conversas sociais e também nos consultórios de psicologia. Um desses conceitos é a demissexualidade, que muitas vezes ainda é pouco compreendido e cercado de dúvidas.

Mas afinal, o que significa ser demissexual?


O que é a demissexualidade?

A demissexualidade é uma orientação sexual que se caracteriza pela atração sexual surgir apenas quando há um vínculo emocional significativo com outra pessoa.
Diferente de quem sente atração física ou sexual de forma espontânea, a pessoa demissexual geralmente não se interessa sexualmente por desconhecidos ou por pessoas com quem não possui laços de intimidade.

É importante destacar que a demissexualidade não é uma escolha, mas sim uma forma natural de vivenciar a sexualidade, pertencendo ao espectro da chamada assexualidade, embora não seja sinônimo de ausência de desejo.


Diferença entre demissexualidade e assexualidade

  • Assexualidade: envolve ausência ou baixa frequência de atração sexual, independentemente de vínculo emocional.

  • Demissexualidade: existe atração sexual, mas ela depende da construção de intimidade e confiança.

Portanto, a pessoa demissexual pode viver relacionamentos sexuais plenos, mas a porta de entrada quase sempre é o afeto e o laço emocional.


Como a demissexualidade aparece no dia a dia

  1. Nos relacionamentos: Pessoas demissexuais tendem a valorizar relações duradouras, onde o vínculo se fortalece antes de haver desejo sexual.

  2. Na vida social: Podem sentir-se deslocadas em contextos onde a sexualidade é tratada como algo imediato ou baseado na atração física.

  3. Na autoimagem: Muitos demissexuais se descobrem tardiamente, após perceberem que sua forma de se relacionar difere das expectativas sociais comuns.


Importância do reconhecimento

Entender a demissexualidade é fundamental para:

  • Quebrar preconceitos: Evita que pessoas sejam rotuladas como “frias”, “difíceis” ou “sem interesse”.

  • Promover acolhimento: O reconhecimento dá nome à experiência e ajuda a pessoa a compreender melhor sua própria identidade.

  • Favorecer relações saudáveis: Parceiros(as) podem compreender a importância da conexão emocional e respeitar o tempo do outro.


Reflexão final

A demissexualidade mostra como a sexualidade humana é diversa e complexa. Cada indivíduo sente e vive o desejo de forma única. Para a Psicologia, acolher essas diferenças é essencial na construção de um espaço de escuta e respeito.

Mais do que rótulos, o importante é que cada pessoa possa reconhecer sua forma de amar, desejar e se relacionar — e viver isso de maneira livre, autêntica e saudável.

Poliamor: o que é, mitos e realidades sobre esse modelo de relacionamento

Nos últimos anos, o tema poliamor tem ganhado espaço em conversas sobre afetividade e relacionamentos. O termo ainda desperta curiosidade, dúvidas e até preconceitos, mas representa uma forma legítima e consciente de viver vínculos amorosos.

📌 O que é poliamor?

O poliamor é a prática ou filosofia de manter relacionamentos amorosos com mais de uma pessoa, com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos. Diferente de traição, o poliamor se baseia em transparência, comunicação e acordos claros.

É importante destacar que poliamor não é sinônimo de sexo casual. Embora a dimensão sexual possa estar presente, o foco está em relacionamentos afetivos múltiplos, com vínculos emocionais e, muitas vezes, compromissos de longo prazo.

🌱 Como surgiu o conceito?

O termo “poliamor” começou a ser utilizado na década de 1990, mas a prática de relações múltiplas e consensuais existe em diferentes culturas há séculos. Hoje, é discutido dentro do movimento da não monogamia ética, que engloba diversas formas de viver fora da monogamia tradicional.

💡 Diferenças entre poliamor e outros formatos

  • Poliamor: vários relacionamentos afetivos, conscientes e consentidos.

  • Relacionamento aberto: pode envolver múltiplos parceiros sexuais, mas nem sempre afetivos.

  • Swing: trocas sexuais entre casais, geralmente sem vínculos românticos.

🧠 Desafios do poliamor

Assim como qualquer modelo de relacionamento, o poliamor traz desafios próprios:

  • Ciúmes e insegurança: exigem maturidade emocional e comunicação constante.

  • Gestão de tempo e energia: dividir atenção e cuidado entre mais de uma pessoa requer organização.

  • Preconceito social: muitas pessoas poliamorosas enfrentam estigmas e falta de compreensão da família ou da sociedade.

✨ Benefícios para quem escolhe viver o poliamor

  • Liberdade de escolha: maior autonomia para se relacionar de acordo com os próprios valores.

  • Diversidade de conexões: possibilidade de experiências afetivas enriquecedoras com pessoas diferentes.

  • Ênfase na comunicação: geralmente, casais poliamorosos desenvolvem forte habilidade de diálogo e negociação.

🚨 Mitos comuns sobre poliamor

  1. “Poliamor é desculpa para traição.” – Errado. O poliamor é baseado em consentimento e transparência, ao contrário da traição.

  2. “Quem é poliamoroso não consegue se comprometer.” – Muitos relacionamentos poliamorosos envolvem compromissos sérios, incluindo morar junto ou até criar filhos.

  3. “Poliamor é só sobre sexo.” – É, antes de tudo, sobre afeto, respeito e múltiplas formas de amar.

🌍 Conclusão

O poliamor não é “melhor” ou “pior” que a monogamia. É apenas uma alternativa legítima de viver o amor, escolhida por pessoas que se identificam com essa forma de se relacionar.

O mais importante é que cada indivíduo e casal encontre o modelo que faça sentido para sua vida, desde que seja baseado em consentimento, respeito e diálogo.

Hibristofilia: Por Que Algumas Pessoas Se Sentem Atraídas por Criminosos?

A atração por criminosos, em especial os que cometeram atos violentos, intriga psicólogos, sociólogos e o público em geral. Conhecida como hibristofilia, essa condição ganhou atenção com casos de mulheres que se apaixonaram por assassinos em série, como Ted Bundy e Richard Ramirez. Mas o que leva alguém a desenvolver esse tipo de atração? A ciência tem algumas respostas.


O Que é Hibristofilia?

O termo hibristofilia vem do grego hybrizein (cometer ultraje) e philia (amor ou afinidade). Trata-se de um parafilias, ou seja, uma forma de excitação sexual ou afetiva por alguém que cometeu crimes graves, como homicídio, estupro ou abuso.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a hibristofilia não é oficialmente listada como um transtorno específico, mas pode ser entendida dentro do espectro das parafilias quando compromete o funcionamento ou causa sofrimento clínico significativo.


Causas Psicológicas: O Que a Ciência Diz?

1. Desejo de Redenção ou Salvação

Muitas pessoas com hibristofilia relatam o desejo de “salvar” ou “curar” o criminoso. Isso remete a um mecanismo conhecido na Psicologia como projeção redentora — projetar no outro a própria necessidade de controle ou validação por meio da transformação dele.

📌 Caso famoso: Carol Ann Boone, que se envolveu com o serial killer Ted Bundy, casou-se com ele durante seu julgamento e acreditava em sua inocência até o final. Ela via nele algo “curável”.


2. Carência afetiva e necessidade de controle

Alguns estudiosos propõem que a hibristofilia pode estar ligada a vínculos traumáticos, onde a pessoa busca relacionamentos controláveis ou previsíveis. Um parceiro preso, por exemplo, oferece contato limitado, ausência de confronto físico, e dependência emocional — fatores que podem fazer pessoas inseguras se sentirem emocionalmente no controle.

🧠 Base científica: Estudos como os de Ramsland (2012) e Schmid (2005) apontam que algumas mulheres que se envolvem com criminosos têm histórico de relacionamentos abusivos, baixa autoestima e padrões de apego desorganizado.


3. Excitação pelo Perigo (Parafilia)

Para alguns indivíduos, o crime em si gera excitação. Isso está ligado a um comportamento parafílico, onde o estímulo sexual está associado a um comportamento socialmente desviante. A noção de que “ele matou por amor” ou “é perigoso, mas comigo é diferente” cria uma fantasia de exclusividade afetiva e intensidade emocional.

🧪 Estudo relevante: Sandnabba et al. (2002) exploraram parafilias em populações não-forenses e identificaram tendências associadas à excitação por submissão e dominação em contextos extremos, como o crime.


Tipos de Hibristofilia

  • Hibristofilia Passiva: A pessoa sente atração, mas não participa dos crimes. Ex: mulheres que escrevem cartas de amor a assassinos presos.

  • Hibristofilia Ativa: A pessoa participa, colabora ou até incentiva os crimes. Ex: Myra Hindley, cúmplice de Ian Brady nos assassinatos de crianças em Manchester.


Fatores Culturais e Midiáticos

A romantização de criminosos pela mídia — através de séries, filmes e documentários — pode reforçar fantasias e alimentar a hibristofilia. O caso de Richard Ramirez, conhecido como “Night Stalker”, é um exemplo: mesmo após cometer assassinatos e estupros, ele recebeu inúmeras cartas de fãs apaixonadas e chegou a se casar na prisão.

📺 Efeito do entretenimento: A série “You” da Netflix ou mesmo o fascínio em torno de “Dahmer” (2022) podem, sem intenção direta, reforçar ideias distorcidas sobre violência e erotismo.


Tratamento e Considerações Clínicas

A hibristofilia pode ser inofensiva em alguns casos (fantasias não atuadas), mas quando causa sofrimento ou leva a envolvimentos perigosos, é importante buscar ajuda profissional.

Abordagens terapêuticas incluem:

  • Psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC): para reestruturar crenças disfuncionais sobre amor, perigo e controle.

  • Terapia de esquemas: útil em pessoas com histórico de abandono ou abuso.

  • Terapia de trauma: para tratar padrões de apego traumático e co-dependência emocional.


Conclusão

A hibristofilia não é apenas uma curiosidade psicológica, mas um fenômeno que mistura parafilia, traços de personalidade, dinâmicas de poder e influências culturais. Compreendê-la é fundamental para desmistificar o glamour perigoso que, muitas vezes, envolve figuras criminosas.


Referências Científicas e Acadêmicas

  1. Ramsland, K. (2012). Women Who Love Men Who Kill. Praeger.

  2. Schmid, D. (2005). Natural Born Celebrities: Serial Killers in American Culture. University of Chicago Press.

  3. Sandnabba, K. N., Santtila, P., Alison, L., & Nordling, N. (2002). “Demographics, sexual behaviour, and paraphilias in men referred for forensic psychiatric evaluation.” Nordic Journal of Psychiatry, 56(5), 321–326.

  4. Petrescu, R. M., & Popescu, C. A. (2016). “Hybistophilia – love of criminals or a form of sexual paraphilia?” Journal of Education, Society and Behavioural Science, 17(3), 1–8.

  5. Mitchell, H. & Aamodt, M. G. (2005). “The Incidence of Female Sexual Attraction to Serial Killers.” Journal of Police and Criminal Psychology, 20(1), 40–51.

Múltiplos Parceiros Sexuais Estão Ligados à Menor Satisfação em Relacionamentos? O Que Diz a Ciência

Vivemos em uma era de maior liberdade sexual e menor repressão em relação à escolha de parceiros. Contudo, a forma como o número de experiências sexuais anteriores pode afetar a qualidade de relacionamentos futuros ainda é um tema que desperta discussões — e a ciência tem algo a dizer sobre isso.

Neste artigo, exploramos o que os estudos revelam sobre a relação entre o número de parceiros sexuais e a satisfação em relacionamentos duradouros, como o casamento ou uniões estáveis.


📉 Mais parceiros, menor satisfação conjugal?

Diversas pesquisas têm apontado uma correlação negativa entre o número de parceiros sexuais ao longo da vida e a satisfação em relacionamentos futuros, especialmente no casamento.

👉 Um estudo publicado no Journal of Marriage and Family (2016), com mais de 10 mil participantes, descobriu que mulheres que tiveram mais de 10 parceiros sexuais antes do casamento relataram níveis significativamente menores de satisfação conjugal, em comparação com aquelas que tiveram apenas um ou dois parceiros【1】.

“A maior quantidade de experiências sexuais anteriores pode afetar a comparação subconsciente com o parceiro atual, o que reduz o comprometimento e a satisfação a longo prazo.” — Wolfinger, N. H., 2016

👉 Outro estudo, da Brigham Young University, avaliou mais de 2.000 casais e concluiu que aqueles com menos parceiros sexuais prévios tendem a ter relacionamentos mais estáveis e felizes【2】.


⚖️ Possíveis explicações psicológicas

1. Comparação social

Segundo a Teoria da Comparação Social (Festinger, 1954), quanto mais experiências uma pessoa tem, mais ela tende a comparar inconscientemente o atual parceiro com os anteriores — o que pode prejudicar a satisfação emocional e sexual.

2. Apego e vínculos interrompidos

De acordo com a Teoria do Apego (Bowlby, 1969), vínculos emocionais repetidamente formados e rompidos com diferentes parceiros podem afetar a capacidade de criar laços profundos e seguros no futuro.

3. Desgaste emocional e idealização

A variedade de experiências pode alimentar expectativas idealizadas. Assim, qualquer frustração no relacionamento fixo pode parecer mais intensa quando comparada ao passado, reduzindo o contentamento presente.


💬 Importante: Correlação não é condenação

É essencial lembrar que essas pesquisas revelam tendências estatísticas, não destinos pessoais. Ter múltiplos parceiros não significa que alguém esteja condenado a relacionamentos infelizes. O que realmente importa são aspectos como:

  • Maturidade emocional

  • Habilidades de comunicação

  • Capacidade de compromisso

  • Consciência das próprias escolhas

Muitas pessoas com histórico sexual diversificado constroem relacionamentos sólidos, especialmente quando trabalham o autoconhecimento e a inteligência emocional.


O que podemos aprender com isso?

  1. Autoconhecimento é essencial: Antes de entrar em um relacionamento duradouro, é importante entender como seu passado influencia seu presente.

  2. Cultura de consumo x profundidade emocional: A atual cultura do “descartável” pode tornar relacionamentos superficiais. Buscar conexões mais profundas exige consciência e intenção.

  3. Relações saudáveis exigem esforço consciente: Independentemente do passado sexual, cultivar empatia, compromisso e presença é o que sustenta a felicidade a dois.


📚 Referências:

  1. Wolfinger, N. H. (2016). Counterintuitive Trends in the Link Between Premarital Sex and Marital Stability. Journal of Marriage and Family, 78(5), 1221–1232. https://doi.org/10.1111/jomf.12320

  2. Busby, D. M., Carroll, J. S., & Willoughby, B. J. (2010). Compatibility or Restraint? The Effects of Sexual Timing on Marriage Relationships. Journal of Family Psychology, 24(6), 766–774. https://doi.org/10.1037/a0021690

  3. Levine, T. R., Serota, K. B., & Shulman, H. C. (2010). The Truth About Lying: What Investigators Need to Know. FBI Law Enforcement Bulletin.

  4. Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss: Vol. 1. Attachment. New York: Basic Books.

Poluição Energética Sexual: O Que É e Como Afeta Sua Vida?

(Este artigo está listado em conhecimentos alternativos, não estamos vinculando o mesmo a ciência da Psicologia)

Vivemos em um mundo onde tudo é energia — nossos pensamentos, sentimentos, ações e, claro, nossas relações. Dentre essas relações, a sexualidade é uma das mais potentes formas de troca energética que existe. Mas você já parou para pensar que, assim como há relações que nos elevam, há também conexões que nos drenam, enfraquecem e até adoecem energeticamente? É aí que entra o conceito de poluição energética sexual.

O que é poluição energética sexual?

Poluição energética sexual é a sobrecarga ou intoxicação do campo energético causada por trocas sexuais mal resolvidas, desconectadas de afeto, ou marcadas por abuso, desequilíbrio ou promiscuidade sem consciência. Toda vez que nos envolvemos sexualmente com alguém, criamos um vínculo energético, que pode permanecer mesmo depois do fim da relação física.

Essas ligações ficam registradas no nosso campo sutil (corpo energético), influenciando nosso humor, autoestima, decisões e até saúde física.

Principais causas da poluição energética sexual

  1. Relações sexuais sem conexão emocional ou espiritual
    Relações pautadas apenas no prazer imediato e sem vínculo afetivo profundo podem deixar rastros energéticos desorganizados.

  2. Acúmulo de parceiros sexuais sem limpeza energética
    Cada parceiro traz uma bagagem energética. Quando não há um cuidado em se purificar e cortar laços energéticos, há sobrecarga.

  3. Relações abusivas ou tóxicas
    Sexo em contextos de dor, manipulação, controle ou medo cria bloqueios e traumas no corpo emocional e energético.

  4. Masturbação compulsiva e consumo de pornografia
    Quando o prazer está dissociado da consciência e afeto, o corpo pode absorver vibrações de carência, desespero ou baixa autoestima.

  5. Culpa, repressão ou vergonha sexual
    Emoções negativas ligadas à sexualidade também geram energia densa, afetando o equilíbrio interior.

Sinais de que você pode estar com o campo sexual poluído

  • Sensação de cansaço constante após relações sexuais

  • Pensamentos obsessivos com ex-parceiros

  • Dificuldade de estabelecer conexões afetivas saudáveis

  • Baixa autoestima e confusão emocional

  • Dores no baixo ventre ou bloqueios criativos

  • Sensação de estar “carregado” ou com a energia drenada

Como limpar e proteger sua energia sexual

  1. Autoconhecimento e consciência sexual
    Traga atenção plena ao seu corpo, aos seus desejos e às suas intenções. O sexo consciente começa dentro de você.

  2. Banhos de ervas e defumações
    Banhos com arruda, alecrim, manjericão ou lavanda ajudam a equilibrar o campo energético. Defumações com sálvia branca ou palo santo são boas aliadas.

  3. Corte energético com ex-parceiros
    Técnicas de meditação, visualização e rituais com intenção clara de desligamento são eficazes para romper cordões energéticos.

  4. Reiki, alinhamento de chakras e terapias integrativas
    Essas práticas auxiliam na limpeza dos centros energéticos, especialmente do chakra sacral, ligado à sexualidade.

  5. Celibato consciente ou abstinência temporária
    Períodos de recolhimento sexual podem ser profundamente curativos para quem busca restaurar sua integridade energética.

  6. Re-significação da sexualidade
    Cultive relações baseadas em respeito, presença e afeto. O sexo pode ser um ato sagrado de cura e expansão espiritual.

Conclusão

Sexualidade é poder. Um poder que pode criar, curar e transformar — mas que também pode adoecer se não for vivenciado com consciência. A poluição energética sexual é real, embora sutil, e afeta profundamente nossos relacionamentos, escolhas e até nosso propósito de vida.

Cuidar da sua energia sexual é um ato de amor próprio. É reconhecer que o seu corpo é sagrado e que as trocas que você permite nele deixam marcas profundas. Que suas escolhas sexuais sejam, acima de tudo, um reflexo do respeito que você tem por si mesmo(a).

 

A Função do Orgasmo Segundo Wilhelm Reich: Muito Além do Prazer

Você já parou para pensar que o orgasmo pode ser mais do que um momento de prazer físico? Para o psicanalista e cientista Wilhelm Reich, ele é essencial para a saúde mental e corporal. A chamada “função do orgasmo” é uma das ideias mais revolucionárias da psicologia corporal — e continua atual, provocadora e, para muitos, transformadora.

🧠 Quem foi Wilhelm Reich?

Discípulo direto de Freud, Reich mergulhou fundo na relação entre sexualidade, repressão e saúde emocional. Com o tempo, rompeu com a psicanálise tradicional e desenvolveu sua própria abordagem — a vegetoterapia e, mais tarde, a teoria do orgone. Seu pensamento ligava corpo e mente como uma unidade energética, onde os bloqueios emocionais também se manifestam no corpo físico.


💥 O que é a Função do Orgasmo?

Para Reich, o orgasmo não é apenas uma “descarga de prazer” — é uma liberação vital de energia biológica acumulada no corpo. Ele acreditava que todo ser vivo possui uma energia pulsante que precisa fluir livremente. O orgasmo seria o ponto máximo de descarga dessa energia, o momento em que o corpo e a psique se harmonizam.

Quando essa energia (mais tarde chamada de orgone) não é liberada adequadamente, ela se acumula e se transforma em tensões crônicas, angústia, ansiedade, e até doenças físicas ou mentais.


⚙️ Como funciona essa energia?

Reich descreveu um ciclo de energia natural nos seres humanos:

  1. Tensão
    Surge com o estímulo (desejo, excitação, necessidade emocional).

  2. Carga
    O corpo acumula energia vital.

  3. Descarga
    O orgasmo, quando pleno, permite a liberação dessa energia.

  4. Relaxamento
    Após a descarga, há uma sensação de paz profunda e equilíbrio.

Este ciclo deveria fluir naturalmente — mas nas sociedades modernas, reprimidas sexualmente, esse fluxo é bloqueado. As pessoas vivem presas na tensão ou na tentativa de alívio incompleto (masturbação ansiosa, relações sem entrega, culpas religiosas, etc.).


🧱 O que impede um orgasmo pleno?

Reich chamou de “couraça muscular” o conjunto de tensões crônicas no corpo que impedem a livre circulação da energia orgástica. Essas couraças se formam por traumas, repressões emocionais e culturais. É como se partes do corpo “congelassem” emoções antigas, e bloqueassem a entrega total ao prazer.

Exemplos comuns:

  • Ombros tensos por repressão emocional

  • Mandíbula rígida por contenção de raiva ou choro

  • Quadris duros por culpa sexual


💡 Por que isso importa?

Segundo Reich, uma pessoa que não consegue se entregar ao orgasmo de forma plena, também não consegue se entregar plenamente à vida. A repressão sexual gera neuroses, raiva, frustração, desconfiança, apatia — tudo aquilo que nos desconecta do outro e de nós mesmos.

Por outro lado, um orgasmo completo (com o corpo relaxado, sem culpa, com entrega emocional) gera:

  • Equilíbrio psíquico

  • Sensação de totalidade

  • Dissolução de angústias

  • Mais vitalidade e autenticidade


🌿 Terapia Corporal e Liberação

A partir da função do orgasmo, Reich desenvolveu terapias corporais que buscavam liberar os bloqueios energéticos através da respiração, toque, movimento e consciência corporal.

Hoje, suas ideias influenciam profundamente áreas como:

  • Bioenergética (Alexander Lowen)

  • Terapias somáticas

  • Psicologia corporal

  • Tantra terapêutico moderno


✨ Conclusão

A visão de Reich nos convida a repensar nossa relação com o corpo, o prazer e a energia vital. O orgasmo, para ele, não era um tabu, mas um indicador de saúde e liberdade interior. Em um mundo cada vez mais tenso, ansioso e desconectado do próprio corpo, suas ideias ainda ecoam como um chamado para uma vida mais autêntica, plena e orgástica — no sentido mais profundo da palavra.